
Chegou ao fim o Mundial de Esportes Aquáticos de 2009, realizado em Roma. Tive o prazer de acompanhar todos os dias da competição de natação no Foro Itálico, incluindo eliminatórias, semifinais e finais. Ao todo, foram batidos incríveis 43 recordes mundiais e 107 de campeonato, com o domínio, mais uma vez, dos Estados Unidos.
A expressiva marca de recordes quebrados, de longe a maior até hoje, abriu novamente a discussão sobre o uso dos trajes tecnológicos. Muito em função disso, a FINA (Fédération Internationale de Natation) já anunciou que eles serão proibidos a partir de 1º de janeiro de 2010. A dúvida que fica é em relação a todos esses novos tempos conquistados, se terão total validade ou não. Comenta-se até que pode haver uma divisão, e que as marcas dos atletas que usaram os trajes teriam asteriscos. Particularmente, acredito que isso só causaria mais confusão. Se, em determinado momento, a FINA aprovou o uso dos maiôs, deve arcar com as consequências. Vale lembrar que já houve trajes reprovados, e as marcas conquistadas com eles foram anuladas. Então, nada mais justo que manter os resultados atuais, porque, com tantos novos e bons atletas, certamente teremos muitas outras quebras de recordes nos próximos anos.
Voltando ao campeonato em si, o Brasil conseguiu sua melhor performance em todos os tempos. Isso graças a Felipe França, que conquistou a medalha de prata nos 50m peito, e principalmente a César Cielo, que venceu os 50m e os 100m livre. Nesta última, o brasileiro ainda quebrou o recorde mundial da prova, com o tempo de 46'92''. Cielo provou que a medalha de ouro em Pequim não foi um acidente, e que o longo período de treinamento, duríssimo, diga-se de passagem, valeu e continua valendo à pena. Não é exagero dizer que o Brasil ganhou um novo ídolo, um novo símbolo para o esporte. E a natação brasileira, que nao vivia uma boa fase desde a época de Gustavo Borges e Fernando Scherer, ganha um novo status, destaque internacional, chegando em um patamar jamais visto antes. Cesão, como é chamado, consolida, assim, o seu momento e o seu domínio nas provas de velocidade. Hoje, ele é o cara a ser batido, e o exemplo a ser seguido por todos os jovens que sonham ser nadadores e defender o nosso país.
Outros atletas que obtiveram algum destaque para o Brasil foram Thiago Pereira, que, mesmo nadando muito bem e melhorando suas marcas, bateu duas vezes na trave, nos 200m e 400m medley, terminando ambas as provas em 4º lugar, Gabriel Mangabeira e Kaio Márcio Almeida, finalistas nos 100m e 200m borboleta, respectivamente, além de Gabriella Silva, 5ª colocada nos 100m borboleta. O revezamento brasileiro nos 4x100m medley (Guilherme Guido, Henrique Barbosa, Gabriel Mangabeira e César Cielo) também bateu na trave e terminou em 4º, muito perto de uma medalha. Mas, no geral, a evolução de nossa natação foi bastante evidente.
Agora, aí vai um pequeno resumo com os principais destaques individuais de toda a competição, fora César Cielo:
Michael Phelps - Claro, sempre ele. Foi o maior medalhista do evento. Perdeu uma prova, coisa que não acontecia há muito tempo, mas mesmo assim faturou 5 ouros. A grande atração foi a reedição do duelo contra o sérvio Milorad Cavic nos 100m borboleta, já que o americano o havia vencido por apenas 1 centésimo nas Olimpíadas de Pequim. Desta vez, a diferença foi de 13 centésimos, mas não menos espetacular, e novo recorde mundial para Phelps.
Paul Biedermann - O alemão foi quem bateu Phelps nos 200m livre. Venceu também os 400m livre, com novo recorde mundial em ambas as provas. Acredito que tenha um estilo muito parecido com o de Ian Thorpe, antigo fenômeno das piscinas, agora já aposentado.
Ryan Lochte - Aproveitando-se da ausência de seu amigo e principal rival Michael Phelps nas provas de medley, superou o húngaro Laszlo Cseh e venceu tanto os 200m quanto os 400m com autoridade. Na primeira, o americano ainda quebrou o recorde mundial da prova.
Britta Steffen - Assim como Cielo, a atleta alemã venceu os 50m e os 100m livre, com novas marcas mundiais, tornando-se a maior velocista da atualiade.
Federica Pellegrini - A Diva, como é conhecida, foi sensação não só por sua beleza, mas pelos excelentes resultados que obteve. Em casa, ela não decepcionou e foi ouro nos 200m e nos 400m livre, ambos com recordes mundias.
E que venha Xangai 2011!




